Dor facetária: sintomas, causas, tratamento

Dor facetária é bem comum na coluna vertebral, e costuma ser uma das principais causas das dores crônicas. Elas se caracterizam como articulações ou “juntas” que conectam as vértebras (ossos) na parte posterior da coluna e tem como função promover estabilidade rotacional ao corpo.

Conhecidas também por articulações zigoapofisárias, as causas mais comuns da dor é quando ocorre o desgaste articular, conhecida também como artrose facetária ou por inflamações da região.

Vale destacar que com o envelhecimento natural do ser humano, esses desgastes são normais, por isso é importante sempre cuidar o máximo possível do seu corpo ao longo da vida, como uma forma de prevenir todo tipo de doença, não apenas na coluna.

O movimento torcional dessas facetas (articulações) corresponde a 20% da estabilidade torcional da coluna cervical e lombar, enquanto na coluna torácica essa contribuição é menor. Por isso, a dor facetária é mais frequente nas regiões cervical e lombar.

Com exceção da primeira vértebra cervical, quase todas as outras vértebras móveis da coluna possuem uma estrutura semelhante, composta por três principais elementos: o corpo vertebral, que é a parte óssea frontal; as articulações facetárias, que auxiliam na estabilização entre as vértebras; e o disco intervertebral, responsável por amortecer impactos.

Juntas, essas estruturas desempenham um papel essencial na proteção da medula espinhal e das raízes nervosas.

À medida que ocorre o desgaste das facetas, a camada de cartilagem fica mais fina e pode inclusive desaparecer. Neste caso, o paciente pode desencadear outra doença muito comum, que é o Bico de Papagaio, que causa uma reação do osso da articulação, surgindo os osteófitos.

Todas essas reações juntas aumentam o tamanho da artrose na coluna, também conhecida como hipertrofia facetária, que quando associada a alterações inflamatórias, pode causar uma dor que recebe o nome de “artrite”. Os principais movimentos que causam essa dor são os de rotação e hiperextensão da coluna.

Quando as facetas estão inflamadas, o corpo ativa reflexos protetores, como espasmos e contraturas musculares ao redor das articulações afetadas, resultando no chamado “travamento da coluna” para reduzir o movimento.

Embora a maioria dos casos envolve dor autolimitada e sem impacto neurológico, é fundamental que, durante a fase aguda, um especialista em coluna faça uma avaliação para diferenciar essa condição de outras patologias que possam causar  sintomas semelhantes.

Sintomas e Sinais da Dor Facetária

Coluna Cervical

A dor facetária cervical se manifesta na região do pescoço e das escápulas, e pode irradiar para os ombros e trapézios. Normalmente, a dor se intensifica ao estender o pescoço para trás e ao realizar palpação na área afetada.

Coluna Lombar

Na coluna lombar, a dor geralmente se concentra na parte inferior das costas e pode se estender para os glúteos ou para a região posterior das coxas. Os sintomas tendem a piorar quando o paciente inclina o tronco para trás (hiperextensão) e costumam aliviar ao se inclinar para frente.

Características da Dor Facetária

Os episódios de dor aguda ocorrem de forma intermitente, podendo se repetir algumas vezes ao mês ou ao longo do ano. A maioria dos pacientes apresenta dor crônica leve associada a certa rigidez e espasmos musculares na região afetada.

As dores facetárias podem ser frequentemente subdiagnosticadas, pois muitos pacientes convivem com um desconforto persistente e apresentam poucos episódios de dor intensa.

Sintomas Adicionais da Síndrome Facetária

Além da dor localizada, podem surgir os seguintes sintomas:

  • Rigidez matinal;
  • Desconforto ao deitar-se de bruços;
  • Sensação de fraqueza na região lombar;
  • Dificuldade ou dor ao realizar rotações pélvicas;
  • Necessidade de apoio ao permanecer de pé por longos períodos;
  • Dificuldade ou incapacidade de correr;
  • Sensação de tensão muscular ao redor das articulações inflamadas;
  • Sensibilidade dolorosa ao toque na região afetada;
  • Ausência de dor associada a esforços como tosse ou espirro.

Embora cause desconforto significativo, a síndrome facetária é uma condição que não provoca déficit neurológico, ou seja, o paciente não apresenta perda de reflexos, dormência ou diminuição da força muscular.

Causas da dor Facetária

As articulações da coluna ajudam a suportar parte do peso do corpo, e essa carga aumenta conforme o disco intervertebral se desgasta e afina. Quando há sobrecarga, o processo de regeneração e a nutrição dessas articulações podem ser prejudicados, já que dependem bastante do movimento para se manterem saudáveis.

O desgaste do disco intervertebral, a frouxidão das estruturas ao redor e o impacto de traumas ou esforços repetitivos podem agravar a Síndrome Facetária. Além disso, a própria coluna pode entrar em um estado de bloqueio natural, o que pode acelerar a degeneração das articulações.

Essas alterações nem sempre causam dor logo no início, mas, com o tempo, podem provocar desconforto.

Quando a dor surge, geralmente está associada ao desgaste da cartilagem, das cápsulas articulares e dos ligamentos ao redor. Movimentos simples, posturas inadequadas ou permanecer na mesma posição por muito tempo podem
desencadear o incômodo.

No entanto, mesmo articulações facetárias saudáveis podem em alguns casos ser o que causa dor.

Diagnóstico e tratamento

A avaliação médica é fundamental para diagnosticar a dor facetária. O processo inclui a análise do histórico clínico, exame físico e exames de imagem como raios-x e tomografias para confirmar o problema e descartar outras condições da coluna.

Exames de Imagem

  • Radiografia: Identifica sinais de artrose nas articulações facetárias.
  • Tomografia Computadorizada: Pode ser solicitada para uma avaliação mais detalhada.
  • Ressonância Magnética: Considerado o exame padrão para avaliar a presença de líquido nas articulações e o grau de degeneração.
  • Bloqueio: Infiltração medicamentosa para confirmar se a origem da dor é facetária.

Tratamento da Dor Facetária

Atualmente, não há cura para o desgaste das articulações facetárias. Os tratamentos visam reduzir a dor crônica e melhorar a qualidade de vida do paciente.

Tratamento Conservador

Inicialmente, o tratamento é feito de forma conservadora, combinando diferentes
abordagens:

  • Controle da dor: Uso de medicação específica e aplicação de calor local.
  • Repouso relativo: Evitar esforços excessivos que possam piorar o quadro.
  • Fisioterapia e hidroterapia: São responsáveis pela estabilidade e flexibilidade da coluna e redução da sobrecarga nas articulações.
  • Correção postural: Consiste em melhorar a postura para minimizar a tensão nas facetas articulares.
  • Mudanças no estilo de vida: A prática regular de atividade física e controle do peso para prevenir novas crises.

Grande parte dos pacientes apresenta melhora significativa com essas medidas.

Tratamentos Minimamente Invasivos

Para casos refratários ao tratamento conservador, podem ser indicados procedimentos minimamente invasivos:

  • Infiltração Facetária: Aplicação de anestésicos e anti-inflamatórios, diretamente na articulação facetária, proporciona alívio temporário e pode ajudar a indicar a necessidade de outros procedimentos.
  • Denervação Facetária por Rádio-Frequência: Um eletrodo é posicionado nos pequenos nervos que transmitem a dor. A energia de radiofrequência promove a coagulação dessas fibras nervosas, reduzindo a sensação dolorosa.

Ambos os procedimentos são realizados sem necessidade de internação.

Tratamento Cirúrgico

Quando a dor é persistente e há instabilidade na coluna, pode ser indicada a artrodese minimamente invasiva, que estabiliza a região afetada. Essa abordagem é recomendada para casos mais graves, onde a dor facetária está associada a compressão neurológica ou outras alterações estruturais da coluna.

Como prevenir a dor facetária

A prevenção da Síndrome Facetária passa por hábitos saudáveis, como controle do peso, correção postural e fortalecimento da musculatura da coluna.

Práticas simples, como manter uma postura adequada, evitar permanecer na mesma posição por longos períodos e realizar alongamentos regularmente, ajudam a reduzir a sobrecarga nas articulações facetárias. No entanto, é fundamental evitar a automedicação, pois a degeneração das articulações ocorre de forma progressiva.

Quanto mais cedo o paciente buscar tratamento, melhores serão os resultados. O acompanhamento especializado como no Centro de Coluna garante um diagnóstico preciso e um tratamento adequado, prevenindo complicações e promovendo qualidade de vida.

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