Cervicalgia: tudo o que você precisa saber sobre
Se você sente dores no pescoço com frequência, pode ser um indicador de cervicalgia, também conhecida como dor na coluna cervical, que é a dor no pescoço. Apesar de ser muito comum em mais de 50% da população, sentir dor com frequência não é normal e você não deve se “acostumar” com ela.
A coluna cervical é muito flexível, e é por este motivo que podemos girar a cabeça e incliná-la para todos os lados. As articulações desses membros superiores são o que permite esse movimento, além disso, eles também protegem o tecido nervoso (medula espinhal) e sustentam o crânio.
Entre as vértebras cervicais, existe o disco invertebral, que auxilia na mobilidade e tem função de amortecedor e estabilizador das vértebras.
O que o desgaste dos discos cervicais pode causar?
Quando existe desgaste, o disco intervertebral tende a se tornar mais fino e pode até se deslocar de sua posição, podendo ser inclusive essa a causa da dor cervical.
Da mesma forma, as vértebras também podem sofrer desgaste, resultando em diferentes graus de degeneração da cartilagem, inflamações e mudanças na estrutura óssea. Essas degenerações podem provocar a dor facetária.
Como o desgaste dos discos cervicais podem impactar na saúde?
O desgaste dos discos causa dores cervicais e tem sérios impactos na coluna e na saúde do pescoço. À medida que o desgaste se intensifica, o disco intervertebral, que normalmente mantém o espaço entre as vértebras, tende a perder altura devido à desidratação, ficando mais fino.
Esse processo pode fazer com que o disco se desloque de seu local original, provocando dores no pescoço, que podem se irradiar para os braços, caso haja compressão nos nervos ou estruturas neurológicas.
Além disso, as vértebras, que são os ossos que formam a coluna, também podem sofrer alterações, como o desgaste da cartilagem, que é responsável por permitir o deslizamento suave entre os ossos. Esse desgaste da cartilagem pode resultar em inflamações, como artrites, e alterações no formato dos ossos, levando à artrose.
Essas condições degenerativas nas articulações da coluna, conhecidas como dor facetária, geram um tipo específico de dor nas áreas afetadas.
Embora essas mudanças degenerativas sejam irreversíveis, é possível controlá-las e até mesmo prevenir a progressão dos sintomas com um tratamento adequado e acompanhamento especializado. Dessa forma, apesar dos danos serem permanentes, a qualidade de vida do paciente pode ser preservada com as abordagens médicas corretas.
Mas como surge a cervicalgia?
Apesar de surgir de causas diferentes, o grande vilão das dores no pescoço nada mais é da forma que você se cuida ou não no seu dia-a-dia!
A má postura nas mais variadas tarefas é um dos principais causadores da dor no pescoço, torcicolo e rigidez no pescoço. Sintomas esses que podem irradiar ou não para a região dos ombros e braços.
Outras causas comuns são: movimentos repetitivos, passar longos períodos sentado ou em pé, além de carregar excesso de peso.
Em alguns casos, esses fatores podem surgir por meio de algum outro tipo de doença degenerativa da coluna, como um desgaste osteoarticular, fatores genéticos, idade, traumatismos, contraturas musculares, neoplasias, espondilose cervical, estenose cervical, doenças reumatológicas, estenose espinhal, hérnia de disco cervical, e compressão nervosa.
Condições que podem causar cervicalgia:
A dor no pescoço pode ser causada por uma série de fatores, desde tensões musculares momentâneas até doenças degenerativas da coluna. Veja alguns exemplos:
- Contraturas musculares: Espasmos musculares e torcicolos podem resultar de esforço excessivo ou postura inadequada, mas também podem sinalizar condições crônicas subjacentes, como estenose ou hérnia cervical em crise. Nesses casos a dor costuma ser superficial e restrita aos músculos do pescoço.
- Alterações estruturais: Com o passar do tempo, os ossos da coluna sofrem mudanças em sua forma, podendo desenvolver osteófitos (os chamados “bicos de papagaio”). Isso é uma resposta natural ao desgaste de discos, ligamentos e redução da massa muscular, como tentativa de estabilizar movimentos excessivos. Porém, esses osteófitos podem comprimir nervos, causando dor, formigamento, dormência ou até fraqueza. Esse processo, que reduz o espaço para as estruturas nervosas, é conhecido como estenose.
- Estenose cervical: A estenose (estreitamento do canal medular) e a espondilose cervical (artrose) são mais comuns após os 45 anos. Já as alterações nos discos intervertebrais, mais flexíveis entre os 20 e 45 anos, são frequentes em pessoas mais jovens.
- Hérnia de disco: A hérnia é um processo degenerativo no qual o disco intervertebral apresenta desgaste em duas partes: o ânulo fibroso (capa externa) e o núcleo pulposo (interior gelatinoso). Com o tempo, fissuras no ânulo podem levar ao rompimento, deslocando o núcleo e comprimindo nervos. Isso pode causar dor desde o início do desgaste até o surgimento da cervicobraquialgia, que envolve dor no trajeto do nervo afetado.
- Tensões musculares: Tensões musculares frequentemente afetam um lado do pescoço mais que o outro e, ao contrário das condições degenerativas, tendem a se resolver sozinhas em dias ou semanas. Em casos raros, infecções podem estar associadas, com sintomas como febre e rigidez no pescoço.
Os principais sintomas de cervicalgia são:
● Dor no pescoço;
● Rigidez muscular;
● Dor de cabeça;
● Dor irradiada;
● Espasmos musculares;
● Febre
● Sensação de queimação ou ardência no pescoço;
● Dificuldade para Dormir;
● Tontura e vertigem;
● Limitação de movimentos.
Existem grupos de risco para a cervicalgia crônica?
Algumas pessoas estão mais suscetíveis a desenvolver cervicalgia crônica devido a características específicas de suas rotinas ou condições físicas.
Trabalhadores de escritório ou aqueles que permanecem longos períodos sentados ou em pé na mesma posição têm maior probabilidade de apresentar dores no pescoço, assim como pessoas com alterações posturais ou que realizam movimentos repetitivos, como digitar por várias horas.
Atletas envolvidos em esportes de contato também estão em risco, assim como idosos, uma vez que o envelhecimento aumenta a incidência de problemas na coluna cervical.
Quanto tempo dura uma crise de cervicalgia?
A duração de uma crise de cervicalgia varia conforme a causa, a intensidade dos sintomas e a eficácia do tratamento. Episódios leves, geralmente associados a tensões musculares ou problemas posturais, tendem a desaparecer em alguns dias ou semanas.
Já crises mais graves, relacionadas a condições crônicas ou degenerativas da coluna, podem se prolongar por semanas ou meses, exigindo intervenções mais consistentes e prolongadas para alívio dos sintomas.
Diagnóstico e tratamento para cervicalgia
Para o diagnóstico e tratamento adequados, você deve consultar um médico ortopedista especialista em coluna vertebral. O tratamento para a dor cervical varia conforme a intensidade dos sintomas e a presença de lesões na área afetada, além de aspectos como a idade e o histórico médico do paciente.
A partir da primeira consulta, ele fará um exame físico com uma avaliação criteriosa e agendará a realização de exames, como ressonância magnética e raio-x, para somente então realizar os procedimentos necessários.
Nesse primeiro contato, o especialista geralmente orienta o repouso relativo, que envolve a diminuição de atividades que exijam esforço repetitivo, permitindo que a região afetada descanse.
Além disso, para aliviar a dor é recomendado que o paciente faça ajustes em sua rotina, como o uso de colchões e travesseiros ortopédicos, bem como a prática contínua de exercícios específicos para fortalecer a musculatura da coluna cervical.
O tratamento vai depender da gravidade da situação, idade, lesões no local, histórico e do resultado da avaliação. Dentre as opções de tratamento, podemos citar:
- Uso de medicamentos anti-inflamatórios, relaxantes musculares, corticóides e analgésicos;
- Repouso relativo;
- Uso de colares cervicais;
- Atividades físicas
- Fisioterapia;
- Acupuntura
- Bloqueios de dor com infiltração (procedimentos minimamente invasivos, para controlar a dor);
- Cirurgia (apenas em casos muito graves).
Quando é necessário fazer cirurgia na cervical?
Embora a dor cervical seja uma queixa comum, a necessidade de intervenção cirúrgica é rara. Na maioria dos casos, os problemas que causam desconforto no pescoço podem ser tratados com terapias clínicas, como medicamentos, fisioterapia ou mudanças nos hábitos diários.
No entanto, em situações específicas, a cirurgia pode ser indicada. Entre as principais razões estão:
- Déficit neurológico progressivo, como perda de força ou sensibilidade nos braços ou mãos;
- Mielopatia cervical, que pode se manifestar com dificuldades para andar, reflexos alterados, fraqueza muscular ou falta de coordenação;
- Dor severa, que não responde a tratamentos conservadores;
- Fraturas instáveis, que colocam em risco a medula ou os nervos;
- Presença de tumores ou outras condições graves que comprometem a estabilidade ou funcionalidade da coluna.
O tipo de procedimento cirúrgico varia de acordo com a necessidade específica de cada paciente. Antes de definir a abordagem, o médico analisa diversos fatores, como a condição física geral, o tipo de trabalho do paciente e o impacto da doença na sua qualidade de vida.
Se a cirurgia for recomendada, o médico especialista em coluna discutirá detalhadamente as opções disponíveis, explicando os riscos, benefícios e objetivos do procedimento, para que o paciente se sinta confiante na decisão sobre o tratamento.
Formas de prevenção
Assim como os problemas de coluna, para se proteger da dor na região cervical, é extremamente necessário cuidar com as práticas do dia a dia, como:
- Manter as cadeiras, mesas e dispositivos ajustados conforme sua altura e o alinhamento do corpo.
- A prática regular de exercícios de fortalecimento e alongamento da região cervical irão melhorar a flexibilidade.
- Ficar parado na mesma posição por longos períodos é muito prejudicial. Faça algumas pausas para se levantar e se movimentar com frequência.
- Escolha um travesseiro que ofereça suporte adequado para a cabeça e pescoço.
- Ao levantar objetos pesados, dobre os joelhos e mantenha a postura ereta para evitar lesões na musculatura cervical.
- Controlar o que causa seu estresse é ideal para não deixar seu pescoço e ombros rígidos.
- Fazer uma reeducação postural, pode manter sua coluna e postura bem condicionadas.
- Cuide com a postura no trabalho. Faça pausas regulares para alongar e esticar a coluna.
Se você está enfrentando desconforto ou dores persistentes no pescoço, é fundamental que não ignore os sinais que o seu corpo está lhe dando. A dor cervical, se não tratada adequadamente, pode se intensificar com o tempo e afetar significativamente a sua qualidade de vida.
Consultar um especialista em coluna cervical é crucial para identificar as causas específicas do problema e determinar o tratamento mais adequado para a sua condição. Lembre-se sempre: quanto mais cedo você buscar orientação médica, maiores serão as suas chances de aliviar os sintomas e evitar complicações futuras.
Cuidar da sua saúde é um investimento em seu bem-estar físico e mental a longo prazo. Não permita que a dor no pescoço limite suas atividades diárias ou prejudique sua rotina. Procure ajuda especializada, siga as recomendações médicas e busque o equilíbrio e a vida que você merece
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